Por Thiago de Araújo
O Santa Cruz, como é de conhecimento de todos, agora há pouco foi eliminado da disputa da Série D de 2009 e ficará até janeiro do ano próximo sem mandar jogos oficiais no seu estádio. Alheio a uma análise do fracasso tricolor e sem querer entrar no mérito de se o Santa Cruz merece ou não essa situação, pensei nos últimos minutos em uma possibilidade que pode ser bastante frutífera para o Náutico: mandar os seus jogos no Arruda durante o restante do Campeonato Brasileiro.
São vários os pontos positivos que uma mudança de mando de campo para o Náutico promoveria. A consequência imediata seria o aumento de renda para o clube, ocasionada pelo simples fato de que se passaria a jogar em um estádio com uma capacidade muito maior. Os Aflitos, embora carreguem toda uma história de tradição, alegrias e tristezas e signifique muita coisa para a torcida Timbu, é muito pequeno para a torcida alvirrubra.
No Arruda, um estádio em que cabem com folga 50 mil torcedores, a possibilidade de pressionar o adversário e lucrar mais com jogos importantes, contra clubes como Cruzeiro, Internacional, Palmeiras etc., é muito maior. A acústica do estádio também é melhor, o que deixa a torcida, de certa forma, mais vibrante e empolgada. Prova disso foram os dois jogos da Série A de 2008, ocorridos no Arruda, enquanto houve a interdição dos Aflitos, em que o público, nas duas oportunidades, ultrapassou as 20 mil pessoas. Ressalte-se que ambos os jogos ocorreram no turno da noite – se fossem à tarde, seria certamente ainda maior esse montate.
Outro fator a ser levado em conta é o gramado, que é de excelente qualidade. Ora, se o Náutico joga o restante dos jogos em casa em um gramado favorável, as chances de um melhor aproveitamento como mandante aumentam. É bem verdade que clubes mais qualificados terão possibilidade de jogar melhor contra o Timbu; ocorre que, caso continuemos com os Aflitos, esses clubes jogarão apenas uma vez no fraco gramado do Eládio, ao passo que nós jogaremos 19 dos 38 jogos do campeonato no respectivo estádio. A diferença de 19 jogos para 1 jogo é, sem dúvidas, bastante relevante.
Aliado a tudo isso, considere-se a possibilidade de melhor acomodar a imprensa, o que contribui para ao menos não desgastar ainda mais a imagem do clube diante dos jornalistas do eixo Sul-Sudeste; a melhor iluminação do Arruda, com refletores muito mais potentes que o dos Aflitos; o melhor acesso ao estádio, que no Eládio é feito através da estreitíssima Rosa e Silva; a existência de um gramado, no Centro de Treinamento Wilson Campos, completamente idêntico ao gramado do Santa Cruz (inclusive trabalhado pela mesma empresa, a GreenLeaf), o que fará que os jogadores alvirrubros joguem em um campo ao qual estão plenamente acostumados.
Por fim, há de se levar em conta que uma mudança provisória de estádio possivelmente faria voltar a frequentar os jogos alguns torcedores que “caíram na rotina” dos jogos nos Aflitos. Uma mudança de ares é importante, pois foge ao costumeiro, ao tradicional. No jogo em Caruaru, entre Náutico e Santo André, por exemplo, contou-se com a presença de muitos alvirrubros que há tempos não iam para os Aflitos, mas fizeram o longo trajeto rumo ao Lacerdão em razão de este ser um programa diferente, fora do comum.
Enfim, por todos os motivos citados, acredito ser muito viável jogar no Arruda pelo restante da Série A. O estádio do Santa Cruz não pode ficar parado por tanto tempo e o custo para alugá-lo não seria tão alto, tendo em vista que o Santa precisa muito de dinheiro, principalmente neste momento de eterna crise, e não recusaria, sem dúvidas, uma proposta alvirrubra neste sentido, que ajudaria a sanar algumas despesas do Tricolor. Fica a sugestão à diretoria Timbu e novamente a lembrança de que jogar no Arruda geralmente tem dado certo para o Náutico.